Quantos andam por aqui?

15 de fevereiro de 2012

02:28

(Não faço ideia do que vou escrever a seguir)

Hoje fizeram-me uma pergunta e eu não soube responder. "Acho que não... Não sei." foi a minha resposta. Eu acomodei-me à ideia e gostava dela, a sério que sim. Gostava do que poderia vir a acontecer (parva Daniela, parva). Não fazia sentido (ou quero eu acreditar nisso, talvez).
Incomodas-me.

Eu sempre disse "Está feito, está feito." em relação ao divórcio dos meus pais. E se fosse possível voltar a tê-los juntos outra vez? E se voltássemos a ser uma família outra vez? À uns dias tive a minha família de volta, mesmo que por apenas umas horas. Eu, mana, pai e mãe, a família que sempre fomos durante anos. Apetecia-me agarrar a minha mãe e não deixá-la sair daqui. Queria voltar a vê-la a passear pelo corredor a qualquer hora do dia ou da noite, queria acordar ao domingo e ouvi-la a cozinhar e a falar com o pai, queria dizer-lhe "Boa noite" e saber que ela no dia seguinte ainda estaria aqui.

Se há coisa que estas últimas semanas me ensinaram foi que o álcool não compensa. Gosto, gosto de beber. Gosto de beber e de não saber o que estou sentir. Gosto da sensação de que está tudo bem. Gosto de rir, rir muito. Mas não compensa. Já disse coisas das quais me arrependo. Dizem-me que fiz coisas e eu não faço a mínima ideia do que estão a falar. E eu fazia isso para esquecer a vida que tinha, para esquecer as obrigações que me dão, para poder desligar-me. Agora sim, sei que não compensa.

Quando eu digo que me sinto velha, a reacção das pessoas é "Deixa de ser assim!" mas reparem: à uns meses disseram-me "O seu irmão está aqui" sendo que o meu irmão era o meu pai, os colegas da minha irmã acham que eu sou a mãe dela. Portanto, sempre me deram muito mais idade do que a que eu realmente tenho. Hoje, pela primeira vez, insinuaram que eu parecia mais nova. "A menina é que tem de fazer isto tudo?" disse ela, com tom de espanto. Mas foi o olhar dela que me fez pensar. Não o sei descrever, mas apercebi-me que me esqueço que só tenho 20 anos e que a carga que me estão a pôr nos ombros é grande, muito grande. Gostava de ter alguém com quem falar disto tudo, alguém que me desse conselhos. Posso insinuar que sei o que faço, o que penso, posso até aparentar ser muito mais velha, mas muitas das vezes não faço ideia do que tenho de fazer a seguir.

4 comentários:

Green disse...

É perfeitamente natural que te sintas dessa forma, afinal ainda és muito nova para teres às costas esse peso todo. Ainda assim, e dada a situação da tua família, tens de continuar a ser forte, mas eu acho que deves falar destas coisas com os teus pais, chama-os aos dois, quando possível, e diz-lhe tudo o que tens a dizer, tudo o que escreveste aqui e muito mais, tudo o que sentes. Sê corajosa.
Beijinho e muita força!

Teresa disse...

O "peso da idade" é consequência das nossas preocupações, é natural que o que tens passado se reflicta no exterior. Tenta descansar o mais possível, o álcool e outros vícios só pioram.
Tens sido muito corajosa e acho que deves conversar com os teus pais e dizer o que sentes. É compreensível que muitas vezes não saibas o que fazer, afinal só tens 20 anos. Só o tempo e experiência é que nos dão (algumas) certezas.

Ana T. disse...

São as experiências que nos ensinam os caminho a seguir. Ou seja, são os erros que nos abrem os olhos e nos mostram o caminho mais acertado.É preciso cair e voltar a levantar, sejam as vezes que sejam. Na vida nada é perfeito. Nós é que buscamos a perfeição à nossa semelhança, ou pelo menos tentamos. E o tempo ensina-nos muitas coisas. E se à coisa que eu aprendi é que errar é uma coisa saudável, porque é aprender a fazer melhor do que antes.

Bom fim-de-semana.* =)

Anira the Cat disse...

Temos muito mais força do que achamos. Mas isso não quer dizer que tenhamos de nos esgotar. Quando a carga é pesada, há que partilhá-la. Fala com os teus pais, com amigos... Não tens de ter todo o peso do mundo nos ombros.

Beijinhos e força.