Quantos andam por aqui?

17 de Março de 2012

01:14

Não me chateiem. Não me contem o que vos aconteceu à semanas atrás. Não quero saber o que fizeram no fim de semana. Se descobriram uma coisa fantástica, mas que a mim nada me interessa, não me contem. E, por amor da santa, não se metam a meio de conversas que não vos dizem respeito. É impressão minha, ou as pessoas são cada vez mais chatas?

Ando cada vez mais bitch. É verdade, o que se há-de fazer. O meu avô é o patrão e eu descobri que não tenho qualquer problema em mandar os empregados trabalharem. Não é mau feitio, eu juro que não. É só porque começo a não ter paciência para pessoas que se acomodam. É bom ser-se neta do patrão.

Eu não compreendo esse preconceito da diferença de idades entre casais. Quando me dizem que 15 anos de diferença entre o homem e a mulher é muito grande, eu não fico muito admirada. À uns anos estava a jantar com os meus pais e o assunto de conversa era casamentos e eu disse que não me importava de casar com o Bono. Actualmente o Bono tem 51 anos e eu tenho 20... 31 anos de diferença não é muito, pois não? Só para dizer que, nessa noite, o meu pai não jantou mais. E é bom saber que as pessoas já viram que o meu tipo de homem é "british over 40".

Inscrevi-me hoje para a Bênção das Fitas. Isto é como preparar um casamento, suponho. Fazer a lista de pessoas a convidar, ver quantas fitas tenho de comprar, telefonar às pessoas para ver a disponibilidade reservar o restaurante. É o que dá ser-se a primeira da família a acabar a licenciatura.

Preciso de dormir. Preciso de não sonhar com os problemas. Preciso só e apenas de dormir.

15 de Fevereiro de 2012

02:28

(Não faço ideia do que vou escrever a seguir)

Hoje fizeram-me uma pergunta e eu não soube responder. "Acho que não... Não sei." foi a minha resposta. Eu acomodei-me à ideia e gostava dela, a sério que sim. Gostava do que poderia vir a acontecer (parva Daniela, parva). Não fazia sentido (ou quero eu acreditar nisso, talvez).
Incomodas-me.

Eu sempre disse "Está feito, está feito." em relação ao divórcio dos meus pais. E se fosse possível voltar a tê-los juntos outra vez? E se voltássemos a ser uma família outra vez? À uns dias tive a minha família de volta, mesmo que por apenas umas horas. Eu, mana, pai e mãe, a família que sempre fomos durante anos. Apetecia-me agarrar a minha mãe e não deixá-la sair daqui. Queria voltar a vê-la a passear pelo corredor a qualquer hora do dia ou da noite, queria acordar ao domingo e ouvi-la a cozinhar e a falar com o pai, queria dizer-lhe "Boa noite" e saber que ela no dia seguinte ainda estaria aqui.

Se há coisa que estas últimas semanas me ensinaram foi que o álcool não compensa. Gosto, gosto de beber. Gosto de beber e de não saber o que estou sentir. Gosto da sensação de que está tudo bem. Gosto de rir, rir muito. Mas não compensa. Já disse coisas das quais me arrependo. Dizem-me que fiz coisas e eu não faço a mínima ideia do que estão a falar. E eu fazia isso para esquecer a vida que tinha, para esquecer as obrigações que me dão, para poder desligar-me. Agora sim, sei que não compensa.

Quando eu digo que me sinto velha, a reacção das pessoas é "Deixa de ser assim!" mas reparem: à uns meses disseram-me "O seu irmão está aqui" sendo que o meu irmão era o meu pai, os colegas da minha irmã acham que eu sou a mãe dela. Portanto, sempre me deram muito mais idade do que a que eu realmente tenho. Hoje, pela primeira vez, insinuaram que eu parecia mais nova. "A menina é que tem de fazer isto tudo?" disse ela, com tom de espanto. Mas foi o olhar dela que me fez pensar. Não o sei descrever, mas apercebi-me que me esqueço que só tenho 20 anos e que a carga que me estão a pôr nos ombros é grande, muito grande. Gostava de ter alguém com quem falar disto tudo, alguém que me desse conselhos. Posso insinuar que sei o que faço, o que penso, posso até aparentar ser muito mais velha, mas muitas das vezes não faço ideia do que tenho de fazer a seguir.

7 de Fevereiro de 2012

Coisas que me têm ocupado o pensamento

1
À uns dias disseram-me "Quando fores mais velha vais ser uma excelente mãe. Tenho muito orgulho em ti." e eu fiquei com o coração apertadinho apertadinho. Dizem-me que tudo isto me vai ajudar a crescer, e eu quero acreditar nisso. O pai ainda continua no hospital, mas já nem parece o mesmo pai que eu tinha de visitar com máscara, luvas e bata, o que é bom, muito bom. O pai foi a pessoa que mais me magoou até hoje. Disse-me coisas que nunca ninguém deveria dizer a uma filha, já me desiludiu e enganou, já me deixou triste, muito triste. Mas é engraçado ver como a relação com uma pessoa pode mudar assim que nos deparamos com a probabilidade de a perder. Agora vou ao hospital três vezes por dia e olho para ele de forma diferente. Ajudo-o a comer, falo com ele e quando me venho embora arranjo-lhe o cabelo. 
"Quem é a menina do papá?" perguntaram-lhe. Ele olhou para mim e sorriu.

2
Isto de ter pais divorciados é uma treta. Por um lado tenho o pai, que precisa de mim mais do que nunca, e tenho os avós que estão a sofrer com esta situação e eu tento fazer-me de forte e apoiá-los. Mas por outro lado tenho a mãe, que não vejo à meses e de quem tenho saudades, muitas saudades. Ir para casa dela uns dias - eu só pedia 2 ou 3 - significava ter tempo para ir andar à beira mar ou sentar-me num banco de jardim e desenhar. E agora? Não sei o que fazer. Se ficar com os avós, sei que vou continuar a passar os meus dias no hospital e o único tempo que tenho para mim é à noitinha, quando de lá venho, mas só vou ver a mãe talvez nas férias de páscoa. Se for para a mãe, posso ter tempo para mim mas não fico descansada, porque os avós estão sozinhos e eu sinto que faço aqui falta.

3
Amigos, onde é que estão eles quando precisamos deles?
Não estão.

1 de Fevereiro de 2012

"Craft it Forward"

A Teresa à uns tempos deixou esta ideia no blog dela (se não conhecem o blog ide vê-lo, ide!) e eu achei a ideia muito muito gira. "Craft it Forward" tem o objectivo de enviar algo feito por nós (desenho, fotografia, crochet (não tenho jeito, mas é um exemplo), entre muitas outras possibilidades) às 5 primeiras pessoas que comentarem este post. Quem participar, deverá mostrar o que recebeu e enviar a outras 5 pessoas and so on.

Por falta de tempo e por outros motivos, ainda não tinha tido a oportunidade de publicar aqui o que recebi. A Teresa teve a amabilidade de enviar três cartões + envelopes e um marcador de livros inspirados na arte de William Morris, uma base em crochet (perfeitinha que só ela) e uma fotografia (ela tem as fotografias analógicas mais bonitas que conheço!). Muito obrigada!




So, who joins me?

27 de Janeiro de 2012

Para ti, pai

Pai, lembraste quando estavas sempre a dizer "Temos tempo para tudo" mas eu nunca acreditava? Não acreditava porque todo o meu tempo era gasto na faculdade, não sobrando muito tempo para as coisas realmente importantes. Hoje enquanto estava encostada à parede da sala que antecede o teu quarto, apercebi-me que meia hora passa passa num ápice, quando a probabilidade de saíres do hospital pode ser igual à de não saíres. Máscara, luvas, bata e coragem - foi isto que tive de ter para poder estar contigo. "Já viste onde estás?" perguntaste-me. "Já. Estás sozinho, assim não tens ninguém que te chateie" disse-te eu, sabendo bem as razões que te levaram a estar ali. Oh pai, fica bom. Fica bom e vem para casa. Fica bom e eu levo-te a ver o mar as vezes que quiseres. Fica bom para eu poder acabar o curso e quando for a minha queima das fitas eu agradeço-te a paciência que tiveste comigo quando tinha de ir tirar fotocópias depois do jantar, quando me ias buscar ao comboio a horas tardias e, principalmente, por teres de me ouvir dizer "Pai acorda, já são 6:35, não adormeças, levanta-te!" durante meses a fio. Numa das nossas discussões eu disse-te que não precisava de ti e não imaginas o quão errada eu estava. Preciso de ti. Preciso que me digas "Levanta a moral", preciso que me perguntes "Então amanhã vens a que horas?", preciso que ralhes comigo porque fico acordada até muito tarde. Sempre que acordo à hora de almoço e vou para a cozinha da avó, espero ver-te a chegar e estares a vestir um daqueles fatos-de-macaco azuis que usas desde sempre, que pouses a chave do carro em cima do frigorífico, que vás lavar as mãos, que te sentes para almoçar e que depois faças festas à gata e a arrelies. E hoje quando te vi não foi nada assim. Em vez do fato-de-macaco azul usavas uma bata branca, em vez das chaves do carro tinhas tubos e agulhas, a substituir a cozinha da avó estava uma sala isolada do mundo.
Preciso que fiques bom. Precisamos. O avô chora quando ninguém está a ver para não dar nas vistas; a avó chora quando se lembra da tua situação; a mãe, apesar de tudo, está preocupadíssima contigo; a Catarina (está cada vez mais parecida contigo) faz-se de forte, mas eu bem sei que lidar com isto com apenas 13 anos não é fácil. Vês? Dizias tu que não fazias falta, e agora estamos todos à tua espera. Põe-te bom, eu preciso.

26 de Janeiro de 2012

"Vá, até já"

E foi assim que me despedi dele à 1 hora.
Ainda não consegui entender o que realmente se passou hoje. Acordei e ouvi "Vai-te vestir que a ambulância vem aí"; enquanto estava no trânsito tentei digerir tudo o que se tem passado nestas últimas semanas até que ouvi a sirene da ambulância e apercebi-me que quem ia ali não era uma pessoa qualquer, mas sim o meu pai. O meu pai...
"Estás bem?" perguntaram-me. "Não durmo, não como, só bebo cafés e farto-me de chorar. Portanto, acho que sim" respondi.

24 de Janeiro de 2012

Eu gostava de chorar e de ter os problemas que muitas raparigas de 20 anos têm. Gostava de chorar porque ele não gosta de mim; porque preciso de emagrecer; porque preciso de roupa nova; porque o meu cabelo não é esticadinho; porque não tenho tempo para ver filmes e séries. A sério que sim. Gostava de chorar por ter problemas destes.
Ontem chorei porque tenho medo de perder o meu pai. Chorei porque passei 8 horas dentro de um hospital e só de vê-lo ao longe, sentado e frágil, toda eu estremecia. Chorei porque as notícias não são animadoras. Chorei porque aquele é o meu pai e o meu pai não é assim. O meu pai ralha comigo, o meu pai diz "o que é preciso é levantar a moral", o meu pai é o meu pai e não aquela pessoa que está ali deitada. O meu pai é a pessoa que mais me contraria, com quem eu mais ralho, que mais me faz chorar porque nunca consegue ver o meu ponto de vista. E eu quero esse pai. Não quero um pai que mal me reconhece, que vê pessoas que não estão lá, que não reage. Eu quero o meu pai presente no final da minha licenciatura, e quero perguntar-lhe se está orgulhoso de mim, se todas as discussões que tivemos sobre eu passar tempo a mais na faculdade valeram a pena. Eu só quero o meu pai de volta.
Estou cansada e já não sei se acredito, mas depois penso nos meus avós e lembro-me que tenho de ser forte por eles. Tenho de ser forte e acreditar, dar-lhes força, mesmo que passe as noites a chorar. Tenho de me esquecer que só tenho 20 anos e que deveria estar em férias. E é nestas alturas que me sinto sozinha, ninguém se preocupa, ninguém pergunta, ninguém...

22 de Janeiro de 2012

Muitas horas de trabalho, muito desespero, muitos pensamentos "Porque raio é que eu me meti nisto?", muito tempo a olhar para folhas vazias, mas agora olho para isto e acho que está... aceitável, vá.

Apresento-vos a-mesa-que-é-o-que-você-quer.

Querem uma mesa de jantar? Uma secretária? Uma mesa alta?
Aqui está ela

Mas afinal dá-vos mais jeito uma mesa baixinha e de design minimalista?
Meus amores, oh p'ra ela aqui!

14 de Janeiro de 2012

E com isto pode-se concluir que por estes lados não há um bocadinho de vida própria

Trabalhar para não ter tempo para pensar.
Trabalhar porque tem de ser.
Trabalhar para esquecer.
Trabalhar.