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1 de julho de 2009

Confirmar eliminação?

Hoje senti necessidade de mudar coisas, apagar umas, ver outras, rever tudo; apaguei conversas, fotografias, histórias e textos soltos. Enquanto fazia isto só dizia para mim mesma "tens a certeza? nunca mais os vais voltar a ver" mas mesmo assim continuei. Ao ler tudo aquilo tomei noção do quanto eu mudei (eu e não só) e não foi assim num espaço de tempo tão grande, alguns textos eram de apenas à 1 ano... Ainda hesitei se os apagava ou não porque é a tal coisa é o "nunca mais vou ler isto.. apenas ficam as memórias" mas que se dane! Prefiro saber que já não tenho aquilo guardado do que saber que tenho e um dia quando estiver mal vou ler tudo e depois fico pior. Senti-me muito melhor, era a sensação de liberdade, já não estou presa às tais pessoas, o que passou passou, ficaram apenas as memórias. Memórias... eu estou cheia delas, e quero continuar a estar, porque apesar das limpezas que faça aos papelinhos, às caixinhas ou a tudo, as memórias são a única coisa que me vão ficar para sempre, são só minhas. Mas voltando à palavra eliminação, sabe bem ter o poder de escolher entre duas opções. Ter consciência que um pequeno gesto pode apagar tudo, é bom, faz com que as coisas pareçam mais fáceis. O que é que me aconteceria se eu apagasse por engano as minhas fotografias todas? São apenas 3 anos e qualquer coisa relatados por imagens, quase 14 mil fotografias, tantos pensamentos que estão ali anexados, tantas palavras por dizer, tanto tempo atrás de uma máquina! O que é que me aconteceria? Nem quero pensar... Não, era mau de mais. Se eu pudesse apagar uma memória será que o fazia? Acho que não... graças a ela de certo que aprendi qualquer coisa.


Esta vontade de mudar ajuda-me a ter ideias, já não tenho aquele problema de "não sei o que vou desenhar", as ideias fluem normalmente, como sempre deveria ter sido. Ontem já a lua ia alta e eu estava com uma vontade tremenda de pegar nas tintas e ir pintar! Apetecia-me mexer nos pinceís, ouvir o barulho deles a bater no copo da água, de sujar as mãos, de pôr cor nas folhas ainda virgens, descobrir novas tonalidades e texturas, criar vida ali naquele momento. Ando inspirada!




Será que as pessoas têm noção de que o que fazem agora vai ecoar no futuro?

2 comentários:

J. disse...

É uma sensação óptima e libertadora fazer algo desse tipo. Também sou muito assim: quero guardar tudo e às vezes, apercebo-me que se tem de deixar algumas coisas irem embora para termos espaço para novas.

E não, não me parece que a maioria das pessoas tenha noção disso. Infelizmente.

Artamidae disse...

mudar, evoluir...
é a melhor coisa que podemos oferecer a nós próprios.
(obrigado pelo comentário! fico contente!)