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3 de julho de 2014

Das desilusões

Eu sempre fui motivo de orgulho para os meus pais e avós. Aos 3 anos já sabia andar de bicicleta com 2 rodas e contar até 10. Aos 5 entrei na primeira classe. Entrei na faculdade aos 17. Aos 18 tirei a carta de condução. As expectativas quanto ao que eu me propunha foram sempre muito altas, quer da minha parte quer dos outros, mas consegui sempre superá-las. Hoje a história é diferente. Hoje fui tratar da prorrogação do prazo de entrega do projecto mestrado. É triste. Sinto-me uma desilusão e sei que desapontei muita gente. As pessoas que sempre me apoiaram são agora aquelas que olham para mim com ar de pena e dizem "Coitadinha, algum dia tinhas que falhar não é?". Se me custa chorar à frente de alguém, custa-me ainda mais ver alguém a chorar por minha causa. Custa-me ver alguém que eu sempre tomei como imparcial e inabalável chorar porque eu falhei. Sinto-me culpada e lamento ter desiludido tanta gente.

2 comentários:

Green disse...

Sentes isso tudo só porque adiaste o prazo de entrega do projecto de mestrado? Acho que estás a exagerar.
Quantas pessoas não o fazem? Isso quer dizer que são menos que os outros? Não! Quer dizer que querem fazer melhor e ter a oportunidade de ter melhor nota, ou a nota que desejam.
Não penses dessa forma, só te estás a deitar a baixo e sem motivo.

ana miguel. disse...

Não. Desilusão não. Não condeno o sentimento que em ti se insurge. Estabeleceste um desmedido patamar e não te viste a alcançá-lo conforme tinhas expectado. É no minimo compreensível. Mas não. Desilusão nunca. Desilusão pressupõe fracasso. Tu não fracassaste. Posha. Muito pelo contrário! O que é o tempo ao lado de todo o teu talento, Daniela? Falo sério. Tu não tens noção do quão talentosa és e da fortuna que vales. Outra realidade é a de que por ti nutro grande admiração. Verdade. Já não falando no mais óbvio, não é... Acho tão incrível a forma de como te expressas que não há como fugir ao romance que em mim nasce e renasce face ao conceito de arte que a todos os instantes teimas em renovar. Apaixono-me pela tua escrita, não pelas palavras que utilizas mas pela forma de como as combinas. Apaixono-me pela tua pintura, pelos detalhes que realças e pelo sentimento, ali então impresso, que delineias. Apaixono-me também, e porque não, pela tua fotografia, pelo jeito de como captas a tua tão familiar atmosfera e dás vida ao que vulgarmente é tido como insignificante. Tu és motivo de orgulho para todos os que, de alguma forma, contigo contactam! Não deixes nunca que circunstâncias destas te façam inferir o contrário.

Um xi-coração.