Quantos andam por aqui?

12 de dezembro de 2008

...desaguar ao mar.

Não consigo deixar de pensar naquele poema, não é que eu goste dele mas diz-me tanto. Enquanto o estava a ler não percebia nada do que lá estava, eram apenas letras que cairam ali porque alguém quis. Mas quando o lia outra vez baixinho, só para mim tudo fazia sentido. E aquele aglomerado de letras disse-me bastante. Tudo acaba, quer queiramos ou não, agora se acaba da melhor forma isso é conosco. Eu quero viver a vida! Não quero ser apenas "mais um" num sem fim de pessoas. Quero destacar-me por alguma coisa que tenha feito e ultimamente nada me corre bem. Quando chega esta altura de saber como vou ser recompensada pelo meu trabalho de muitas semanas fico triste. Parece que aqueles furacões que tive de ultrapassar não serviram de nada. Às vezes gostava de ser daquele género de pessoa que pensa "para quê preocupar-me? se tentar um bocadinho chega" mas eu não consigo! Quero mostrar o que valho, que consigo ser boa a qualquer coisa, mas não. Por mais que me esforçe não chego lá, sinto-me tão pequena nessas alturas, que só me apetece é desaparecer. Às vezes a pressão é tanta que eu duvido de mim mesma, pergunto-me porque é que eu ainda insisto naquilo. Eu, apesar de parecer que não aprendo com os erros, tiro deles o maior proveito possível. Vou lutar, não posso desistir, porque se não sou "mais uma" e eu não quero isso. Agora estou-me a lembrar de coisas que a minha avó me conta quando estamos num dia de falar de coisas passadas. Lembro-me dela contar a experiência dela quando veio para a cidade. Não conhecia ninguém, era apenas ela e o meu avô. Deixaram o filho com a avó e vieram começar outra vida. Passados alguns anos tiveram finalmente o filho junto a eles. Durante esses anos viveram num sótão, depois num apartamentozinho e com muitas privações e muito trabalho conseguiram passar a viver numa vivenda que foram eles que mandaram construir. Eles são, sem sombra de dúvida, as pessoas que eu mais admiro. Vieram para a vida citadina sem nada, apenas com uma ideia e conseguiram fazer tudo de raiz. Graças a eles sei que tenho parte da vida assegurada, o que eu sou hoje devo-lhes a eles. Ensinaram-me a cuidar das coisas que tenho, a dar valor ao mais pequeno objecto, a dar valor à vida. É por isso que tenho orgulho em ter o apelido deles, quero ser o mesmo que eles. Eles não existem, vivem!
E é assim, por muito em baixo que eu esteja vou sempre aprender com aquele momento. Aquela recusa da nota hoje deu-me ainda mais vontade de me empenhar e de vencer do que outra vez qualquer. Mostrou-me que eu estive lá perto, mas que ainda não é desta.

3 comentários:

Chioo! disse...

Viva às aulas de português!

Buh! disse...

essas pessoas tbm nao são felizes assim...e se acham q são é pq ainda nao descubriram a verdade. nao podemos viver dando um bocadinho de nós..isso nao é viver, era o mesmo q respirar uma vez por dia so pq dá trabalho... temos de nos entregar de corpo e alma ao q gostamos, ao q consideramos importante. agora é andar para a frente

Inês disse...

(continuando a ideia da joana..) e importante é nao ficar parado querida..ja o sabes: parar é morrer!